sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Deus Televisão


Os meninos permanecem no pátio enquanto o refeitório está sendo preparado para o jantar. Sentados, em silêncio, sob os pés do grande Deus caixa-de-eléctrons. Estão todos com a cabeça erguida. A cabeça é um pote sem tampa. As imagens entram, se misturam aos sons. Os pensamentos, os olhos, os ouvidos, o brilho dos fotóns, tudo em movimento. O grande Deus microndas-de-informação exige um sacrifício. Ele é fiel e onipresente. Está em todos os lugares e estará amanhã e depois e depois. No bar e lar. Momento da comunhão entre a família e o filho pródigo. O pote se enche de luz e se derrama no espaço. A memória evapora, teletransportada via satélite, a memória é uma nuvem e chove nas periferias. O cérebro é um despacho na encruzilhada radio-sinestésica. Trovões e vozes artificiais lembram o quanto todos são pequenos. Bundas quadradas no chão, as costas estão doendo. No ar, Pokemón.

Nenhum comentário:

Postar um comentário