
Não precisamos de lente de aumento para perceber as cicatrizes que os meninos levam no corpo. São marcas grandes e feias, algumas impressionantes, exibidas com um certo orgulho, troféu da coragem e do risco. Os meninos em geral gostam de suas cicatrizes e não se importam de falar sobre elas. Pelo contrário. Por isso, as vezes, eu pergunto a história de alguma cicatriz, só pra ver a capacidade do cara narrar histórias e refletir com ele sobre a sorte e o azar, se vale a pena correr tanto risco.
O menino do desenho tomou um tiro na perna. A tíbia, osso da canela, foi pro espaço. No momento ele foi retratado com essa traquitana ortopédica, não dá pra ver a cicatriz ainda. Pode ser que ele nem tenha cicatriz. A perna dele aguarda uma porção de cirurgias e se o médico for caprichoso, deixará a canelinha dele sem marcas. Mas, pela gravidade do estrago, ele nunca mais terá a perna 100%. A tíbia dilacerada receberá um enxerto da costela, uma frágil cola de osso. Pra endurecer levará meses. Jogar bola, só se for no gol.

Nenhum comentário:
Postar um comentário