No começo achei que estava diante um outro idioma. Achei que iria escrever páginas e páginas com as gírias que eu aprendia com os meninos. Mas, na verdade, o repertório não é assim tão extenso. Ou será que eu é que não anotei tudo ainda?
Comecei a dar aula para adolescentes em conflito com a lei, vulgarmente chamados de menores infratores. Eles estão cumprindo a medida sócio-educativa em regime de internação provisória, ou seja, estão presos. Podem ficar presos por 6 meses até 3 anos. Uma vez fiquei preso no elevador durante uns quarenta minutos e foi uma eternidade. Lá dentro tenho notado essa mesma relatividade do tempo. Estou dando aula de histórias em quadrinhos para esses meninos e as vezes eu me pergunto O QUE É QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI? Uma porção de gente como eu está lá dentro, tentando cumprir parte do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. Arte e Cultura são um dos muitos direitos que eles tem, mesmo presos. Mas afinal, QUEM SÃO ELES ? Movido por essas questões, iniciei um diário de bordo com textos e desenhos sobre esse insólito encontro. Inicialmente, num caderno e agora aqui, para a apreciação e julgamento internético. Se alguma idéia parecer absurda, contraditória ou mesmo uma distorção da realidade, não levem a mal. Não pretendo mesmo fazer nenhuma denúncia ou uma representação fiel da vida como ela é. Sem polêmica, por que muita coisa será inventada e a identidade e aparência das pessoas envolvidas serão preservadas. O material que estou expondo aqui nem é físico. É dessa coisa invisível, que forma o homem, aquele barro espiritual ou coisa parecida. As vezes a gente se apoia em coisas concretas para alcançar tão pretenciosa matéria, mas no fim dá tudo na mesma.
Eu queria mesmo ser o Debret, aquele francês genial que desenhou o Brasil antes da fotografia, todo mundo conhece os quadros mais famosos dele através de livros de história mas tem muitos outros desenhos bem legais.
Que nada! Queria mesmo ser o Eckhot, aquele holandes que chegou antes, logo quando o Brasil foi "descoberto" e desenhou um monte de frutas tropicais, paisagens e índios, muitos índios, alguns bons outros antropófagos. Deve ter sido uma grande aventura pintar isso aí.
Mas legal mesmo é o Hans Staden, que não desenhou nada mas escreveu um livro superlegal contando o apuro que ele passou nas mãos dos Tupinambás.
Pena que nenhum deles virou nome de rodovia ou estátua, como aquele maldito do Anhanguera, meu tátaravô, o famigerado Bartolomeu Bueno.
Pra ser reconhecido mesmo a gente tem que fazer umas barbaridades, né? Mas disso aí eu tô fora.
vixe!
ResponderExcluirAlguem sabe o q significa: vc "fc" com ela?
ResponderExcluireu te repondo. Voce fico com ela?
ExcluirAjudou nada essa imagem pequena
ResponderExcluirafs'