
Quando saí da oitava série e mudei de escola, em 1896, o primeiro choque que tive era que todo mundo fumava cigarros no colegial. Dentro do colégio mesmo. Alunos e professores. Muita gente deve ter começado a fumar naquela época, fazendo performance juvenil durante os intervalos. Mas deve ser um alívio sair de uma aula de álgebra e fumar um cigarrinho. Eu nunca fumei mas imagino que a nicotina deve ser um mini-orgasmo no cérebro. Os neuro-transmissores de um fumante devem bater palminhas ao ouvirem o barulho de um isqueiro ou palito de fósforo.
Curiosamente também fiquei chocado quando notei que os meninos presos fumavam dentro da Cadóca. E era meio religioso esse momento de fumar, umas quatro vezes por dia. Essa hora sagrada se chamava BRASA. Normalmente acontecia no corredor em frente aos dormitórios. Sentados, um ao lado do outro, e as vezes mais de um dividindo o mesmo cigarro.

Os cigarros eram trazidos pelas visitas aos sábados. Só podia Derby azul. Eles eram etiquetados e nomeados, separados por dormitório e guardados numa caixa de madeira trancada com cadeado. Na hora da brasa a caixa era aberta e um a um era chamado para receber um cigarro da mão do funcionário. E ficavam lá, em silêncio, sem performance alguma, baforando fumaça, fumaça que permanecia eterna no ar porque o ambiente não tem janelas abertas nem ventilação. Era de arder os olhos.
Achei cruel. Achei imoral. Por que além de fazer mal e tal, a brasa me pareceu claramente uma forma de controle psicológico, um acssédio moral. Por que para quaquer indisciplinaa, a primeira punição era ficar sem fumar. E na surdina, aqueles que colaboravam, que faziam tudo direitinho, eram recompensados com cigarros. Certamente isso contradiz alguns rudimentos básicos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Quando saiu a Lei anti-fumo, que proibe cigarros dentro de ambientes fechados, achei haveria rebelião ou nào iriam respeitar a lei. Era inconscebível a brasa não existir. Mas por incrível que pareça nada disso aconteceu. E a brasa não existe mais. E ninguém se machucou por isso. Pelo menos por enquanto.
Mas, mesmo sendo a favor da saúde, da libertação do vício, chego a lamentar por não existir mais esse momento. Os meninos me contam que ao fumar um cigarro em silêncio muita coisa passa pela cabeça. São 5 minutos de paz, reflexão, momento de imaginar o futuro, de acalmar a mente e o coraçào. Lamento por esse momento não ter sido substituído por algo melhor que a TV. Entre a televisão e a brasa, acho a segunda opção menos nociva a saúde.

engraçado toda vezq eu entrava na fundaçao e via tal momento eu pensava
ResponderExcluir- mas pera, nem q nao entre em vigor a lei...nao eh proibido o uso por menores?
pode parecer moralista demais esse comentario...mas realmente me incomodava ver uns recem nascidos com aquele movimento de maos e fumaça pro ar
era realmente aprisionador dar aula na sala 6
ou eu respirava ou eu pensava rs
resolvi fazeros 2
por um lado acabar com a hora da brasa fez com q eles chegassem mais cedo e achassem outra diversao dentro das aulas
era tao nocivo à mente q esse momento roubava 20min de aula
essalei deu uma boa salvada em todos rsrs
talvez se acostumem com nao fumar e saiam quem sabe...ex fumantes
É, esse momento era diferente de unidade para unidade. No final das contas eu também acho que todo mundo sai ganhando, que a corda do marionete foi cortada. Mas são cinco minutos a menos de reflexão e mais 10 de televisão.
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