
As professoras usam um jaleco por cima da roupa, azul claro ou branco, com o crachá da instituição pendurado no pescoço. Elas passam 9 horas por dia dentro da unidade. A presença dessas mulheres na unidade de internação provisória é fundamental para contrapor a testosterona do lugar. Mulheres num barco pirata.
Algumas já foram professoras de escola pública, outras são mães. Algumas já foram assaltadas, outras tiveram sonhos embargados. Algumas são muito jovens, outras muito velhas. Algumas estão com hérnia de disco, outras namoram escondido com agentes de segurança. Algumas adotaram meninos, outras fizeram curso de direito e são respeitadíssimas. Algumas afirmam não saber fazer nada além de ensinar, outras desejam subir na hierarquia da instituição e isso significa um cargo administrativo, quanto menos contato com os meninos melhor. Algumas fazem aula de Yoga, outras acreditam que apenas os cursos profissionalizantes salvam. Algumas alfabetizam na prática semanal de cartas, outras trabalhavam em outra área completamente diferente da educação e caiu de pára-quedas alí devido a necessidade. Algumas nasceram para estar presas alí, outras não.
Independente de quem elas sejam são sempre tratadas pelo pronome de senhora, a única coisa afinidade entre elas.

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