- Como assim?
- Ora, com a polícia...
- Que nada senhor. Sempre fui enquadrado e os polícia perguntava “e essa tatuagem aí de ladrão?” e eu metia o louco e dizia “foi um cara mais velho que fez em mim quando eu era criança, não sabia que era apologia ao crime” e eles nem faziam nada comigo. É só entrar na mente deles, desenrolar uma idéia.
Meter um louco é uma gíria, significa “se fazer de bobo”. O palhaço tatuado no braço dele parece louco. Deve ser parente do Coringa do Batman, o Joker do baralho, que é o Bobo da Corte, aquele de chapéu com guizos nas pontas, bobo que de bobo não tem nada.
Coincidências que deixam a gente pensando...
Será que existe isso? Uma coisa puxa outra e no final tá tudo meio relacionado?
Será que é sério essa história de inconsciente coletivo, o panteão de figuras simbólicas que representam tendências comuns do comportamento humano universal, atemporal, aquela história de arquétipos da psique, esse papo estranho de psicólogo esquisíto?
Quem procura acha. Vejam que coisa intrigante. Achei esse livro no sebo:
“O LOUCO é um andarilho, enérgico, ubíquo e imortal. É o mais poderoso de todos os Trunfos do Taro.
Como não tem número fixo, está livre para viajar à vontade, perturbando, não raro, a ordem estabelecida com as suas travessuras. Como vimos, o seu vigor o impulsionou através dos séculos, onde ele sobrevive em nossas modernas cartas de jogar como o Coringa. Aqui ainda se diverte confundindo o Estabelecimento. No pôquer fica louco, capturando o rei e toda a sua corte. Em outros jogos de cartas surge quando menos se espera, criando deliberadamente o que decidimos denominar um erro de carteio.
Às vezes, quando perdemos uma carta, pedimos ao Coringa que a substitua, função que se adapta muito bem à sua coloração variegada e ao seu amor do arremedo. Na maior parte do tempo, entretanto, ele não serve a nenhum propósito manifesto. Talvez o conservemos no baralho como uma espécie de mascote, como as cortes de antanho conservavam o seu bobo. Na Grécia, acreditava-se que o fato de ter um bobo em casa afastava o mau-olhado. A retenção do Coringa em nosso baralho servirá, porventura, a uma função similar, de vez que as cartas de jogar, segundo se afirma, são "as figuras do diabo".
O Coringa liga dois mundos - o mundo contemporâneo de todos os dias, onde quase todos nós vivemos a maior parte do tempo, e a terra não-verbal da imaginação habitada pelos personagens do Taro, que visitamos de quando em quando. Como Puck, o bobo do Rei Oberon, o nosso Coringa move-se livremente entre esses mundos: e, como Puck, às vezes, os confunde um pouco. A despeito dos seus modos enganadores, parece importante conservar o Coringa no baralho moderno para que ele possa ligar os modernos "jogos que a gente joga" ao mundo arquetípico dos antepassados. Ele, sem dúvida, observa e relata o que fazemos a Alguém Lá em Cima.
Agir como espião do rei, com efeito, era uma função importante do bobo da corte.
EITA!




meu amor,
ResponderExcluirseu trabalho, desenhos, pesquisas e textos estão maravilhosos.
ducaralho esse texto!!! parabéns, Rdorigo!
ResponderExcluirEdson
aproveitem e coisa rara de se ver..bravo Rodrigo
ResponderExcluirmoisespatricio.nafoto.net
ResponderExcluirSempre podemos fazer relação com tudo...Eu vi muita semelhança da figura do "Coringa" com a figura do "EXU", orixá mensageiro que liga o "ORUM" mundo espiritual, com o mundo terrestre, e a maioria dos meninos tomados de preconceito, o vêem como dêmonio e o palhaço que por eles é simbolo de poder, tem bases essênciais similares...Muito bom, viajei...
ResponderExcluirPriscila Preta
Essa semelhança ficou evidente pra mim também Pri. Não é viagem não. Estamos diante da mesma figura: o Louco, o Coringa e o Exu sâo feitos do mesmo barro e estão no coração dos meninos.
ResponderExcluirBem que a gente podia fazer uma palestra disso Pra tentar entender e desassombrar o olhar batmaniaco de quem está nessa empreitada.
Maaaaaaaaaaaaaano, que dimais.
ResponderExcluirJung é do caraio. Muito.
E eu sempre achei que era coisa besta ser boba! Ou que o coringa era coisa besta.